Sou filho do acaso, a vítima de uma raiva canalizada de maneira errada. O descaso sem sorte, sempre a beira da morte, a parte esquecida na esquina da vida, um lunático de sonhos virtuais e com sofrimento real. Eu pobre tolo, sei de tudo e não encontro em lugar nenhum algum consolo, de destino arruinado pelo desvio que tive que pegar a força sem antes ser consultado, dono da fantasia de ser artista pelo menos por um dia, retirada da cultura imposta e explorada.
Sobrevivente do mundo do vencedor e do fracassado, no qual as chances que tive para ganhar só davam para me transformar em um famoso palhaço, mas não deu. Hoje, vivem me tratando como capacho, onde limpam os saltos altos e baixos na minha face, cortando como navalha na carne e expondo a dor do abandono revelada através da magoa guardada.